Alguma coisa agora se inaugura,
Põe-se logo a pulsar, e sinto preso,
No peito, dentro, o pássaro indefeso,
A cantar sua própria conjetura
De erguer no alto céu todo o seu peso,
Tão só para embalar, na urdidura
Do cântico longínquo, leve, aceso,
O sujo ouvido de toda criatura.
Eis o pássaro ferido, que se arrasta
No espinheiro, sangrando por amor,
Fremindo asas após, inaugurando
O mais azul dos céus, reconquistando
No céu azul a posse do seu vôo
(Seu vôo é sua vida), que lhe basta.
domingo, 19 de agosto de 2007
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