Enterrei no teu ventre de noviça
A lâmina que fere mas consola,
E o lírio, junto à rosa submissa,
Despetalou a lívida corola.
Um ramo de roseira, sem preguiça,
Plantei na terra, como quem imola
A terra transformada, de caliça,
Em cálice que a luz dos viola.
A terra virgem amanheceu mulher,
Deixou-se fecundar pela semente,
Grão de pólen que algum pássaro trouxe.
E, da terra fecunda, um bem-me-quer
Emergiu e sorriu alegremente
À luz que do silêncio libertou-se.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
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