Até quando, meu Deus, a indumentária
De ossos e de peles e de pelos,
Essa trança de lírios e cabelos,
Trigo maduro e pasto de alimária
Que se debruça, louca e solitária,
Nos pântanos, gemendo, e a gemê-lo,
Atira-se às águas, sem apelo,
Com essa fúria de coisa itinerária?
Até quando, meu Deus, mas Deus, que Deus,
Senão o gesto de quem diz adeus
Ao grito que soluça na garganta
Daquele que, escalando seus escombros,
Enfrenta com estranho desassombro
O medo de morrer, e sempre canta?
domingo, 19 de agosto de 2007
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