sábado, 18 de agosto de 2007

Soneto da Adolescência

Eras bem jovem, como nunca mais,
Como jamais em toda a tua vida,
E tinhas salso gosto de partida,
Águas do mar nos olhos e nos lábios

Sôfregos de amor, sedentos, sábios
De tantos beijos imemoriais
Que eu lhes mordia a carne proibida,
Em desafio aos códigos penais,

Pois não podia possuir-te a pura
Nudez de fruta em dádiva madura,
Cuja casca se rasga como roupa,

Cuja pele se fende como hímen,
Entretanto bem doce foi o crime
De saborear-te, fruta, o gomo, a polpa,

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