domingo, 19 de agosto de 2007

Soneto de agosto

Ave do tempo, vinho, que elaboras,
Em tonéis de carvalho o leve gosto
Do sangue destilado das amoras
E de uvas mergulhadas no desgosto

De atravessar o litoral das horas
Para alcançar o litoral do mosto,
Este grito claríssimo de auroras
Esmagadas nos dentes do sol-posto.

Áspero sangue em lacerado lábio
Sedento de carícias e de beijos
Que se oferecem sedutores, sábios,

Como guardaste tantas cicatrizes
Na embriaguez do amor, fúria e desejo,
Sugada ao chão por ávidas raízes?

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