quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Soneto do adeus

Morri de não viver, não te encontrar,
A meu lado, bebendo o mesmo vinho
De uvas primordiais, de estar sozinho
E sem amor, entre rochedo e mar.

Rios fluíram de leve, devagar,
Pois é a vida dos rios, devagarinho,
Escorrer entre pedras, de mansinho,
Em busca de outro tempo e outro lugar.

Eu não segui o rio: pura mágoa,
Debrucei-me na ponte dos momentos
E vi meu rosto a refletir, nas águas,

A minha solidão, e pude ver
Teus lábios, no meu fundo pensamento,
A me dizerem adeus: morri de te perder.

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