Cala-te, poeta, cala-te de vez,
Olha em silêncio o dia que anoitece
Nesse lento murmúrio, quase prece
De cores violáceas. Tal nudez
Nos cobre como véu, com todo esse
Crepuscular encanto. A embriaguez
De estarmos todos vivos nos aquece
No vinho de nossa vida, que não vês.
Contempla o coração da luz do sol,
O sol, que após vencer os altos céus,
Agoniza sozinho, peixe no anzol,
Nas espumas do mar, nos elementos,
Para amanhã erguer-se como um deus.
E seja, sua luz, teu pensamento.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
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