A pino, vertical, deflagra o sol
A luz que nos espelhos se estilhaça,
E, nos olhos acesos de quem passa,
A vida, como um cão latindo em prol
De nuvens em estado de arrebol,
Vai roendo voraz sua carcaça,
Ante as águas azuis que na hora escassa
Arrebentam-se nas pedras dos faróis.
De chofre, bate o sol na minha cara,
Interroga-me à luz dos holofotes,
E o gume em brasa dessa luz avara
Desnuda-me, pois nada foge ao jogo
Das alucinações do árdego chicote
A flamejar nas mãos do anjo de fogo.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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