Tenro fruto maduro, o amor, conforme
Esvai-se-lhe a doçura, mês a mês,
Abre as asas ao sono intenso e dorme
No regaço da própria embriaguez.
Fruto do acaso, rompe o céu disforme,
Como o sol no horizonte, e, de uma vez,
Lacera a pele do crepúsculo enorme
E liberta-se, depois, com altivez.
Silencioso vem, furtiva lebre,
Devorar o seu pasto, ao sul, de coentro
E oleandros amarelos. Célebre,
Caminha para si mesmo, por dentro,
Como a tímida onda que se quebra
Nas areias, buscando o próprio centro.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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