Teu corpo, como flor à noite, abre
Sua corola, espalha o seu perfume,
E o meu corpo, embandeirado sabre,
Fende fundos abismos em tua implume
Porém ardente carne em plena febre
De amar. Então sorris, num grito,
E teu grito é o puro canto que celebre
O gozo, o espasmo, o estupor, o frêmito.
Nossos corpos entregam-se à devesa
Do tempo, e ao longe vamos nós,
Bem juntos, tua mão na minha, presa.
Amor se faz assim, forte e feroz,
Como se fora, na enchente, a correnteza
Do rio que tudo arrasta à sua foz.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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