Toda a vida vivida de somenos
Entre coisas preclusas e peremptas,
Paixões amanhecidas, como acenos
Diluídos na luz da tarde lenta.
Lá fora se dissolvem os dias plenos
Na promessa da noite que os isenta,
Um dia que se vai, um dia a menos,
E nada em seu lugar se lhe acrescenta.
Morre o dia no Cabo das Tormentas
De viver sob o signo de Vênus,
Então a vida enfim rompe a placenta
Dos árdegos verões, e logo vem nos
Ventos ásperos, e a noite se alimenta
Em sua taça de lívidos venenos.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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