Tu, jovem temporã, surges selvagem
Como abelha no ar e como fruta,
Esvaindo-se em seiva, impaciente
De seres devorada no pomar.
Há rumor de gemidos e de gritos
No limiar de tua boca: o beijo
Tem sabor de pitangas esmagadas
Pelos dentes ardentes do desejo.
Com a polpa macia dos meus dedos
Na carnívora flor que tu aconchegas
Colho a pétala nascida no degredo
Do teu áspero tufo de ervas negras.
No centro deste ninho de surpresas
Um pássaro de fogo se acrescenta
E espalha o calor de minhas brasas
Na pedra solitária do teu ventre.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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