Um beijo, o leve contato
De lábios que se encontrem,
Esmaguem e degustem
Como pássaros a frutas.
No gatilho do tempo,
Trens-bala deflagram seu intenso movimento,
Navios de quilhas duras rasgam a pele seminal das águas,
Ônibus-espaciais devassam céus ainda virgens de navegações.
O mundo, porém, se apaga e foge de si mesmo,
Dissolve-se, vão, desnecessário.
Calam-se as palavras, morrem os ecos,
O sol falece, o corpo resta imóvel,
O braço perde a força, os cabelos param de crescer,
E a vida se agarra às formas irredutíveis.
Um beijo, apenas um beijo,
De lábios que sedentos se visitem,
De túmidas línguas que se enlacem
E resvalem nos úmidos abismos,
Perplexas, em busca do sonho e do estupor
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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