A morte,
Com seu branco véu
De noiva,
Cobre-te o rosto.
Silenciosa
Estátua de mármore,
Quedas-te cega:
Sobre as retinas
Baixam-se as pálpebras.
Permaneces muda
Com lábios de pedra
E dormes surda
Ao canto dos pássaros,
Ao pranto dos tristes.
A noite derrama
Sobre os teus olhos
Ainda verdes
A cortina de trevas:
O manto de terra
Úmida de lágrimas.
A noite caiu, abrupta,
Para que não vejas
Teu corpo, no barco
Onde velejas,
Para que não ouses
Ouvir o marulho
Do mar ininterrupto
Onde repousas,
Para que não toques,
Na hora absurda,
Em longo mergulho,
Os fundos abismos,
Com teus dedos lívidos.
A terra guardou-te
O Íntimo agasalho:
A roupa de barro
Negro, o escuro lençol
De areia, o duro
Manto de argila.
A negra noite
Aconchegou-te
Em seu regaço
Para que encetes
A ultima viagem.
Em pequeno barco,
Exíguo, conciso,
Agora navegas:
Navegar é preciso.
E tomas a rota
Das águas sem porto
Entre nuvens altas
E ondas revoltas.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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