segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Poética III

Inútil perseguires a poesia,
Como quem amanha a terra
E almeja o fruto
Adubado pelo sal da longa espera.

Cessa, por isso, tua busca,
E adormece um pouco,
Para que uma trêmula estrela
Ilumine o teu sonho.

Poética II

Tudo pode ser poesia:
O toque, o gesto, o vôo.
A poesia não se deixa envolver
Em armadilhas. Ela reage, ela se move,
Como esfera enorme,
Para além das palavras.
Basta que mergulhes
Na voragem, cúmplice
Da vida e da morte.

Poética I

Buscas em vão a forma definitiva,
A linguagem mais pura, nudez e transparência.

Buscas...
Entanto é inútil o cântico dos pássaros
Nos teus lábios feridos.

Deixa que um pouco de sangue escorra de tuas palavras.
A canção do poeta deve sangrar nas suas veias.