As mãos
As mãos pálidas, marmóreas,
Alvas como a névoa a cobrir os olhos,
Frias como o gelo a juncar o peito,
Rijas como a pedra em que se convertera o corpo,
Escultura de si mesmo.
Mãos que trabalharam,
Fundaram afagos, confortaram solidões,
Derrotaram febres de infância,
Mãos que se abriam em forma de flor,
As pétalas em busca de luz.
As mãos, frágeis pássaros
Abatidos durante o vôo,
Não mais lavravam as manhãs,
Não combatiam à sombra,
Não modulavam sequer um gesto maternal
No rosto amigo,
Nada mais buscavam,
Não acariciavam nem queriam.
As mãos abertas, num gesto de renúncia.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
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