Soneto dos olhos
Olhos ocos e vazios, guardados
No fundo calabouço dos espelhos,
Olhos cegos e nus, emparedados,
Como peixes em blocos de alvos gelos.
Olhos, antes azuis, agora ausentes
De lágrimas quaisquer, agora parcos
De imagens, de sinais, de marcos,
Precários por não mais clarividentes.
Olhos sequestrados pela morte,
A deixarem-se guardar no cativeiro
(Do tempo?) do destempo, o cofre-forte
Do não e do nada e do perdido,
Do náufrago insepulto, marinheiro
Nos abismos do mar inexistido.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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Um comentário:
lindas suas poesias carlos
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