sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto III

Uma linguagem pura, um diamante
Cortando o vidro que nos ameaça,
Magia de uma lua cintilante
Acendendo o ardor da noite escassa.

Uma palavra dura e penetrante
Como golpe de punho na vidraça,
Um pedaço de sol que se espedaça
E queima nosso olhar inquietante.

O poema é aquilo que revela,
Em cada fruto, o favo corrompido,
Em cada face, seu perfil de estrela.

Daí amar nudez e transparência
Com que te vestes, poesia, símbolo,
Captura de nuvens e ausências.

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