O sapato, cambaio como o dono,
É sapato andarilho e sem destino,
Como a planta do pé que se aconchega,
Companheira, em seu peito, a completá-lo.
O cadarço de linho, o toque inglês,
Como laço elegante de gravata,
Puído, pende, para que o pé se deixe
Demorar nos vinhosos descaminhos.
À luz do sol da vida, certa vez,
Ele pisou com força, na esperança
De alcançar sua Terra Prometida.
Agora é um traste só e abandonado,
(O outro pé sumiu) na viuvez
Que uma lata de lixo dissimula.
domingo, 12 de agosto de 2007
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